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A regra 50/30/20 adaptada a Portugal

6 min de leituraAtualizado em

A regra 50/30/20 é o conselho de orçamento mais repetido do mundo: metade para necessidades, 30% para gostos, 20% para poupança. É um bom ponto de partida e uma má regra literal em Portugal.

Neste guia6
  1. 1A regra original
  2. 2Porque é que 50% para necessidades é difícil cá
  3. 3A adaptação que funciona
  4. 4Onde ponho o cartão refeição?
  5. 5E as despesas anuais?
  6. 6Como saber se está a cumprir

A regra original

Cinquenta por cento do rendimento líquido para necessidades, ou seja, habitação, alimentação, transporte, saúde e seguros. Trinta por cento para o que se quer mas não se precisa. Vinte por cento para poupança e amortização de dívida.

O valor da regra não está nos números exatos. Está em obrigar a atribuir cada euro a um destino antes de ele ser gasto.

Porque é que 50% para necessidades é difícil cá

Nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, a habitação sozinha consome frequentemente mais de 35% do rendimento líquido de quem começou a pagar renda ou prestação nos últimos anos.

Somando alimentação, transporte e seguros, a fatia das necessidades ultrapassa muitas vezes os 60%. Aplicar a regra à letra leva à conclusão errada de que o orçamento está irrecuperável.

A adaptação que funciona

Duas alterações resolvem a maior parte do problema.

  • Calcule as percentagens sobre o rendimento anual dividido por doze, e não sobre o vencimento de um mês. Os subsídios de férias e de Natal representam cerca de 14% do rendimento anual, e ignorá-los distorce tudo.
  • Se as necessidades ficarem em 60%, use 60/20/20 e proteja os 20% de poupança. A poupança é o número que não deve ceder; é o desejo que se ajusta.

Onde ponho o cartão refeição?

Fora da conta das percentagens, com uma linha própria. Somá-lo ao rendimento faz subir artificialmente o denominador e melhora as percentagens sem melhorar a sua situação.

E as despesas anuais?

IUC, IMI, seguros e revisões pertencem às necessidades, divididos por doze. Se só entrarem no mês em que são pagos, esse mês parece um desastre e os outros parecem melhores do que são.

Como saber se está a cumprir

Este é o ponto onde a maior parte das pessoas desiste, porque calcular as três fatias à mão todos os meses é trabalho.

A Navefi classifica cada despesa e calcula as fatias sozinha, sobre o rendimento anual dividido por doze, com o cartão refeição à parte e as despesas anuais provisionadas. A taxa de poupança que mostra é a real, sem reembolsos de amigos a fazer de rendimento.

Perguntas frequentes

A regra 50/30/20 funciona em Portugal?

Funciona como princípio, mas raramente com os números literais. Com habitação a pesar mais de 35% do rendimento líquido em muitas situações, uma repartição 60/20/20 é mais realista, desde que a fatia da poupança seja protegida.

Devo calcular as percentagens sobre o salário mensal?

Não. Use o rendimento anual, incluindo subsídios de férias e de Natal, dividido por doze. Os subsídios valem cerca de 14% do rendimento anual e ignorá-los distorce todas as percentagens.